Estelionato Tributário
Fonte: Joelmir Beting

 
Deu manchete sexta-feira no Brasil e no mundo: a carga tributária extraída da economia e da sociedade acaba de tocar a ionosfera dos 40% do PIB.

Três considerações a fazer. Primeira: carga situada bem acima, estupidamente acima, da capacidade contributiva da economia e da sociedade. Que pelo modelo Tanzi não poderia passar de 24% do PIB. Na Argentina, o teto contributivo é de 29% e a carga não vai além de 19%. Nos Estados Unidos, eles poderiam pagar até 44% e estão pagando 29%, a caminho de 27%.

Segunda observação: carga tributária da pior qualidade, porque centrada em dois terços dela na produção e no consumo e não na renda e no patrimônio. Portanto, tratando igualmente os desiguais, na injusta medida em que extrai do pobre que nada tem tanto quanto extrai do rico ou do remediado. Seja na cachaça, no alimento, no cigarro ou no remédio. Daí o Brasil desfilar a taça de chumbo de titular da renda social mais concentrada do mundo.

Terceira observação, não menos grave: carga fiscal sem retorno social. No Estado brasileiro, a atividade-fim é devorada pela atividade-meio. O que tem levado a classe média inteira a privatizar a saúde pública da família, a educação pública da família, a previdência pública da família, o transporte público da família, a segurança pública da família.

Um caso juridicamente perfeito de estelionato tributário.
 
Fonte: Joelmir Beting - http://www.joelmirbeting.com.br